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Continuando a nossa conversa sobre a doença ovariana policística

Postado em: julho 30th, 2011 Por admin No Comments

Coluna de autoría do Dr. Evangelista Torquato publicada no Jornal Diário do Nordeste no dia 23/09/2007.

Por que sou um homem privilegiado

Na semana que se passou, meus dois sócios e amigos ficaram mais velhos. Um deles, Dr. Fábio Eugênio. Conheci-o quando tinha 13 anos e fazia a sétima série no Colégio Christus. Talvez ali tenhamos iniciado a nossa sociedade. Estudamos juntos boa parte das noites. Quando foi para fazer o vestibular, meus conselhos para que ele fizesse Medicina, não surtiram efeitos. Ele queria ser engenheiro. Não chegou a completar um ano e fez novo vestibular.

Continuando a nossa conversa sobre a doença ovariana policística
Na semana passada, falei que esta patologia se caracterizava fundamentalmente por um estado de Oligoovulação ou anovulação, ou seja, uma paciente que não ovula todo mês e esta situação se mostra para a paciente com menstruação irregular, passa a mesma até 35, 40 dias sem menstruar. Também falei que por conta disso estas pacientes engravidam menos frequentemente. E por último, pontuei que nem toda paciente que ao fazer uma ultrasonografia que mostrava ovários policísticos eram portadoras desta era patologia. Dito isso, vamos continuar nosso bate papo:


Doutor, quais são os critérios para se dar o diagnostico desta doença?

Em 1990, um encontro de pesquisadores americanos, concluiu que os critérios para se dar este diagnostico eram os seguintes:

  • Oligoovulação ou Anovulação;
  • Hiperandrogenismo bioquímico ou clínico;
  • Ausência de outras patologias endócrinas.

Doutor, Oligoovulação eu já sei o que é, mas nunca ouvi falar sobre Hiperandrogenismo.
Este é um outro termo técnico mas facilmente compreensível. Hiperandrogenismo significa excesso de andrógenos e os andrógenos são os hormônios masculinizantes onde o principal é a testosterona. Este hormônio causa vários sinais e sintomas desta doença, por exemplo: pele oleosa, acne, excesso de pelo no busso, raiz das coxas, abaixo do umbigo, nos braços e no rosto, e finalmente, dificuldade para ovular. As peças começam a se encaixar !


Doutor, e o que significa o terceiro critério – ausência de outras patologias endócrinas?
Este é um ponto para lá de importante. Sabe por que? Você não ovula todo mês, por isso fica com a menstruação irregular e ao fazer um ultra-som, os ovários estão policísticos, e mesmo assim você NÃO é portadora da DOENÇA OVARIANA POLICÍSTICA.

Em outras palavras, você pode ter uma menstruação irregular, um ultra-som mostrando ovários policísticos e o seu problema está na tireóide e não no ovário. Para deixar mais claro ainda: várias doenças endócrinas podem fazer com que você não ovule, e ao não ovular os seus ovários podem ficar policísticos. Então quando estamos diante de um estado de Anovulação, temos que nos comportar como detetives e tentar descobrir qual o órgão que está levando a este estado.

Para você ficar com menos dúvidas ainda: consideramos menstruação REGULAR, aquela paciente que tem ciclos menstruais a cada 26 a 34 dias. Este intervalo de freqüência é normal. Deve ser investigada aquela que tem intervalos inferiores e superiores a estes limites.

O assunto está longe do fim. Preveni que ele é vasto e surpreendente. Em mais duas colunas creio finalizar este ponto e então passaremos para um outro além de interessante, a endometriose. Continuem escrevendo seus e-mails, parte destas perguntas foram originadas das suas dúvidas enviadas. Até a próxima semana !

evangelistatorquato@gmail.com
Este artigo foi escrito pelo Dr. Evangelista Torquato, Diretor de Tecnologia do Centro de Medicina Reprodutiva BIOS.