Especialista em realizar sonhos

A escolha do sexo do bebê

Coluna de autoría do Dr. Evangelista Torquato publicada no Jornal Diário do Nordeste no dia 30/09/2007.

A visita de um amigo

Na última Sexta feira, veio nos visitar o Dr. Rosival Nassar. Ele é o Diretor da Clínica de Reprodução Humana Nascer em Belém. É a maior clínica daquela região. Falou-me que já tinha ouvido falar muito bem do nosso trabalho e que gostaria de conhecer uma clínica que já estivesse completamente dentro das novas regras da ANVISA. Gentilmente, após o seu retorno mandou-me este carinhoso email:


“Como Vice-Presidente da Sociedade Norte e Nordeste de Reprodução Humana e conhecedor de quase todos os serviços de Reprodução Humana no nosso país Brasil, quero expressar minha satisfação, em conhecer um dos mais bem equipados laboratórios de fertilização e uma equipe de profissionais de altíssimo nível e qualidade, buscando sempre realizar o sonho da maternidade”. Parabéns e muito sucesso! Rosival Nassar.” Muitíssimo obrigado, meu dileto amigo!




Doutor, posso escolher o sexo do meu bebê?
Este foi um dos e-mails recebidos por mim de uma leitora na semana passada. Esta foi a minha resposta:


Sim, pode. Existem duas técnicas que permitem a escolha; uma delas permitida pelo Conselho Federal de Medicina a outra não.Vou explicar! Mas antes preciso dar algumas informações aos meus leitores:


Pelo gameta feminino, o óvulo, todos nós teríamos nascidos mulheres, mas pelo gameta masculino, o espermatozóide, o bebê pode ser do sexo masculino ou do sexo feminino. Então é o espermatozóide que define o sexo do bebê e não o óvulo. Quantas mulheres pegaram a culpa por gerarem bebês apenas de um sexo, não é mesmo!? Uma injustiça! Continuando: Isto acontece pois os espermatozóides possuem diferenças entre eles. O espermatozóide que gera um bebê do sexo masculino é mais leve, se movimenta mais rapidamente e o outro ao contrário é maior, mais pesado e mais lento. Este último gera o sexo feminino.


No laboratório podemos através de métodos específicos escolhermos a fração que tem mais espermatozóides de um ou de outro sexo e desta forma trabalharmos com a fração que nos interessa. Esta técnica é permitida pelo Conselho Federal de Medicina; pois estamos selecionando o gameta e não o embrião. Na outra técnica, nós fazemos o embrião e depois retiramos uma das suas células e examinamos com uma técnica de imunofluorescência que permite dizer qual é o sexo daquele embrião. Chamamos isto de SEXAGEM. Ela é proibida pelas nossas normas éticas ! A sexagem apenas é permitida pelo Conselho em casos de doenças genéticas ligadas ao sexo como hemofilia, Síndrome de X frágil etc. Fora destes limites não estamos sendo éticos !


A minha opinião!
Particularmente, não sou contra a escolha do sexo quando se faz a seleção dos espermatozóides. Mas quando se faz pela seleção dos embriões tenho dificuldades em aceitar; além disso o Conselho Federal de Medicina me proíbe desta prática.


O desespero quando não se tem um filho


Meu primeiro filho, Gustavo César, foi o fruto da nossa terceira tentativa de fertilização “in vitro”. Quando minha mulher engravidou falei para ela: Por mim, não faria nenhum exame para saber se meu filho é perfeito. Não quero nem mesmo saber o sexo. Quero o meu filho, do jeito que Deus o tenha me mandado.


Mais uma pergunta sobre ovários policísticos

Doutor, quais são as conseqüências desta patologia ?


Até metade das pacientes com esta patologia tem o que chamamos de resistência a insulina. Vou explicar: quando nos alimentamos a glicose entra no sangue e ai o pâncreas em resposta, libera a insulina, esta se liga a um receptor na parede das células do nosso corpo. Esta ligação permite a glicose entrar na célula. Metade das pacientes tem doença ovariana policística tem um defeito neste receptor da insulina e por isto a glicose tende a se acumular no sangue. Então o que acontece?


O pâncreas acha que deve secretar mais insulina para não deixar a esta glicose se acumular. Ou seja, o pâncreas começa a trabalhar mais do que devia ! Com a idade progredindo o pâncreas poderá dar sinais de cansaço e não ter mais fôlego de secretar a insulina e aí a glicose cameçará a se acumular no sangue. É a diabetes chagando. Portanto, pacientes com doença ovariana policística têm maior chance de desenvolver esta doença.


Ainda não terminou o assunto! Continuem expondo suas dúvidas que eu terei o maior prazer em ajudá-las.

evangelistatorquato@gmail.com
Este artigo foi escrito pelo Dr. Evangelista Torquato, Diretor de Tecnologia do Centro de Medicina Reprodutiva BIOS.